quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Uma dica: foi pra Ele que eu entreguei minha vida

Se o meu desejo real fosse seguir minhas próprias leis eu estaria perdida. Não me sinto muito a vontade com essa coisa de ser normal. Poxa vida, mas todo mundo faz isso, o que você tem na cabeça pra não fazer...também? A diferença não está no que tenho na minha cabeça e sim a convicção que tenho no meu coração. Eu até poderia sorrir mais caso eu bebesse copos e mais copos de vodka, mas eu não sei bem que peso meus lábios exerceriam sobre todo o meu corpo, não sei se o gosto do álcool invadindo minha corrente sanguinea seria tão prazeroso assim quanto um sorriso clássico de piadas entre amigos e conversas saudáveis a base de coca-cola. Eu não sei me divertir sendo comum. Acho que esse meu apetite por ser esquisita me leva por caminhos as vezes solitários, onde eu vejo uma sombra tentando me guiar pelas mãos, pra que dessa vez eu não tropece nem deixe de brilhar. Eu gostaria muito de te convencer que essa sombra é de uma árvore, ou de alguma pessoa que quis estar comigo sempre que eu estou só, mas eu não posso. Essa mesma mão que segura nas minhas, que levanta minha face e enxuga meu pranto... bom, não imaginaria uma árvore fazendo isso, não? E se eu te disser que é o criador da árvore? E do homem que achou que fosse o dono da sombra? Ah, larga de bobeira e bebe desse copo, vai, bebe, um pouco, você vai gostar. E por que eu gostaria mais desse copo de plástico sempre pela metade quando eu posso ter um sempre inteiro? Isso está diretamente relacionado à minha felicidade, minha alegria vem desses prazeres que a maioria das pessoas prefere classificar como obrigação. Igreja? Ora, já se viu, mas que tédio, cheio de pessoas falsas, cansativas e as músicas? Tudo me cansa. Me enjoa. O que te faz mal sustenta a minha juventude, mantém meu caráter e minhas manias.

Marcella Casari


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Não que isso seja verdade

Eu tive mesmo que esconder muito bem minhas curvas dentro da minha roupa, pra que os olhos dele se fixassem nos meus e não na minha blusa decotada. Não por falta de insegurança da minha parte e nem porque eu não queria, mas eu aprendi que assim que os olhos dele se fixassem mais no que ele imaginava, menos eu pessoa poderia ter da sua atenção. Não que eu desmereça seus olhos ou suas mãos, pelo contrário, mas eu sabia que se não assumisse o controle da situação naquele momento eu o perderia de vez pra minha beleza e quando ela fosse (e ela vai) embora ele iria junto, com certeza atrás de outra. Isso porque a beleza dele tem cara de que grudou nele, essa beleza de quando se ama, que nem todo mundo gosta.
Agora eu assumo os riscos. Homens também são inseguros. O que seria de um homem pra outro homem se ele não tivesse estampado na cara todas as suas aventuras com mulheres que muitas vezes nem foram realmente suas. Mulheres são dissimuladas. Isso eu aprendi. Não somente por ser mulher, o que realmente facilita muito, mas já me desviei de inúmeras situação abusando dessa habilidade, mulher pensa com a cabeça e o coração, ao mesmo tempo, sem dividir as emoções, sem perder a razão nem o amor. Já os homens, quando são racionais perdem a emoção e vice-versa. Não que eu não confiei num homem dissimulado, mas isso não combina bem o jeito valentão que eles tem que aparentar pros outro. Eu digo outros. E não outras.

Marcella Casari

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Uma carta

Não quero uma carta convencional. Recheada de características que a transforma numa carta. Não porei data, nem de onde eu mando, porque são coisas tão óbvias que apenas ocupariam espaço. Mas já estou com saudades. É engraçado, não faz nem vinte e quatro horas que vocês estão fora de casa, mas já parece uma eternidade, a casa fica tão vazia e tudo perde o sentido. É mais relaxante quando sei que daqui algumas horas após o trabalho vocês estarão de volta, mas não é bem assim hoje e nem amanhã. Não sei bem qual a razão desta carta, vai ver nem tem mesmo muita razão, ou o sentido próprio dela seja apenas uma demonstração de afeto, de amor, de carinho, que com certeza só nesse papel não seria todo mostrado. Mas eu sei que ai o lugar que estão (estavam), é (foi) especial da maneira mais incrível possível, e isso faz bem pra gente. Bom só não faz bem pra mim que estou aqui em casa, digitando no computador e ouvindo uma música linda, que me faz pensar em como e quanto eu amo vocês. Mas fizemos tudo certinho, estamos nos comportando. Mãe, eu to aqui chupando o resto de sorvete de flocos, tudo bem? Bom já já ele vai acabar, e Val seu pai ligou hoje viu, mas não disse o que era, ficou de ligar pra Dé! (hehehe)
Bom, uma coisa eu sei, passar dois dias sem vocês é um sufoco, mas o que mais sufoca é a falta de comunicação, quando vocês viajam é uma coisa, mas mesmo estando tão perto, estão longe, ah sim, longe mesmo e na verdade eu não sei se não podem usar o celular, eu não tentei, e nem tentarei (tentaria), são dias tão particulares e especiais que é melhor assim.
Já disse que os amos, e que sinto saudades? Já, então ótimo!
Minha carta não está tão grande, nem tão bonita e nem sei ao certo o que deveria conter aqui, mas enfim, o que vale é a intenção, e acreditem foi a melhor possível. Não é por economia ter escrito uma carta para os dois, é que eu quis mesmo, desde o momento em que a Dé nos ligou e nos pediu para escrevermos uma cartinha. Bom, cartinha mesmo, mas é isso e mais um pouco.
Amo vocês, Beijos

Marcella Casari

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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Amor de partida

Não, não desaparece não. Não diz que vai embora e realmente vai. Eu deixei escancarada a porta do meu coração pra ver se você trazia logo as suas manias e desejos pra dentro de mim, mas o que você fez foi fechar a cara e a porta da minha sala. Eu não estava pronta pra dizer adeus, e quando você disse que ia sumir pra que eu nunca mais te visse, ah, eu tive vontade de pular no seu pescoço, talvez assim você percebesse que eu estava mentindo. Que não, na verdade eu não gosto muito dos seus braços, eles tem duas temperaturas, um lado mais quente, mais você, e perto das suas mãos, é frio e eu sempre me sinto mais desprotegida assim, quando você não me abraça por inteiro. E outra, eu não gosto dos seus olhos, eles sempre estão atrás dos seus óculos e eu nunca consigo enxergá-los bem, é um egoísmo da sua parte fazer isso comigo, e eu nunca gostei muito do seu rosto lisinho, era bom quando você deixava uns pelos perdidos pela face pra encaixarem na minha boca, quando eu te beijava e você pedia pra eu não parar mais. Eu nunca gostei do seu sorriso, nunca, só quando eles eram meus, quando você os dava pra mim em troca de alguma declaração patética que no fim sempre nos fazia rir, e você deve estar pensando que eu gostava dos seus carinhos, mentira, a sua mão na minha pele me fazia sentir calafrios, os pelos me pediam licença pra se enrijecerem e eu nem boba nem nada, deixava, e desde quando esses sentimentos fazem bem a um ser humano saudável? Totalmente provido de bom senso e vergonha na cara. Quando você fechou a porta, fecharam-se meus poros, minha boca, minhas mãos, meus pés. Eu pedi pra você não ir embora, não me deixar trancada, você não imagina o quanto é difícil.

Marcella Casari

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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Verão

A maneira como ela ainda mantinha as lacunas dos olhos abertas fez com que lágrimas brotassem ali e refrescassem a pele áspera de Sofia. De braços postos sobre a mesa, a cabeça recostada sobre as mãos frias traduziam com letras firmes o sentimento de dor que ela expunha pra fora da alma. Não tinha nem se quer um lenço de papel, simplesmente um copo vazio com o suor do líquido que o continha. A solidão combinava a salinidade das lágrimas com a madeira da mesa da cozinha. Seu desejo era expelir a dor e colocar no lugar um sorriso descartável pra mais tarde, quando quem sabe, Carlos mudasse de ideia e voltasse atrás.
Limpou a face com as costas das mão direita, suspirou fundo, ajeitou a roupa, o vestido florido que esquentava a pele, passou as mãos úmidas pelo cabelo e o prendeu com a presilha amarela, presa na barra do vestido, que incomodava o joelho.
Sofia tomou o banho mais demorado da semana, talvez do mês, colocou a melhor roupa da última compra que vez numa liquidação do shopping, derramou sobre a pele do pescoço e pulsos os restos do perfume francês que ganhara de natal de seu pai. Sentiu-se bela e sensual o suficiente para abalar as estruturas físicas e emocionais do único homem que punha pra fora a sinceridade de forma branda e cuidadosa, Carlos com certeza perdeu o juízo quando disse não mais amá-la.

Marcella Casari

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ps: te amo (o mau humor passou)

E a verdade é que afinal das contas, eu não tinha nada a perder apostando em você. É mesmo. Você com esse jeito simples de levantar os óculos com as pontas dos dedos não podia fazer muito por mim mesmo, não que eu quisesse muito, mas me faz falta a sua presença do meu lado, quando eu tô em casa estudando, estudando, estudando, e não tem ninguém pra me fazer carinho me pedindo pra parar um pouco e nem pra me preparar alguma coisa pra comer. Acho que quando meti os olhos em você eu não tinha ideia do quanto isso ia me fazer bem, eu não considerava muito que daquele mato podia sair coelho. Mas se é você que me faz acordar de manhã cedo e enfrentar a vida, como eu poderia continuar duvidando que suas mãos grandes, seus braços quentes poderiam ser pouco perto da minha estatura? Eu não estava é pronta pra tanto amor, isso sim. Eu queria mais é que você me dispensasse e me trocasse por essa que passa todas as noites com você, ah, mas eu sinto uma inveja dela, mas não fica com ela não, eu já acredito em super-herói.

"Me deixa morrer de saudade, vai, só não me deixa.."

Marcella Casari


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domingo, 29 de novembro de 2009

Não, eu tô falando sério..

cansei de escrever, ou de escrever e postar aqui, esperem meu mau humor passar, se ele passar..







Fiquem com Deus
Beijos Marcella Casari

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A janela aberta

Então você reconhece que deixar a janela aberta é perigoso, não é? Com essa frase mal articulada Carlos iniciou sua conversa com Antônia, e por alguns segundos os dois ficaram em silêncio. Não sei, Carlos, eu sinto muito calor a noite, muito calor, e com a porta fechada eu já não sinto o ar circulando, não encontro posição para dormir, fico me remexendo e fico toda suada. Disse Antônia, prendendo o cabelo e olhando para o chão. Carlos curvou-se e ergueu sua cabeça, dizendo ao olhar nos olhos dela. Não seja boba, Antônia, é muito mais perigoso entrar um ladrão, do que eu me preocupar com o seu suor, ou com a cama mais ocupada com o espaço do seu corpo nela, eu tenho medo de acordar no meio da noite e tudo lá fora me lembrar onde eu estou.
Ora, Carlos, eu não tenho culpa se essa noite você quer passar aqui, o problema é que meus pais podem acordar, e por isso a janela aberta, assim você foge. Retrucou ela, ajeitando a roupa e deitando-se na cama. Mas eu estou aqui por sua causa. Tudo bem, a janela fica aberta, a porta fica trancada. Você prefere que eu deixe a luz apagada, Antônia? Carlos falou em voz mais baixa. Venha logo que ainda tem espaço pra você aqui, finalizou Antônia.

Marcella Casari

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

E-mail

Eu fico muito estressada mesmo quando você demora muito pra responder meu e-mail, fica passando ideias alucinógenas na minha cabeça e nunca sai coisa boa dos meus sonhos. Eu fico aqui matutando que ou você está tendo realmente uma semana super ocupada (então me perdoe por tudo isso) ou você é um tremendo safado, SEM VERGONHA que me faz de besta, é sim, você vai lá me manda aquele big e-mail numa quinta-feira (depois de três dias sem notícias suas) e quando eu bela e formosa te dou uma resposta (à altura) você demora mais quase uma semana pra me deixar plantada na frente da tela do computador esperando uma resposta que não tem mais a mínima cara de que vai aparecer. Você é um egoísta safado que vem falar comigo quando e se quiser e quando eu quero uma resposta sua, ou um sorrisinho de canto de boca você simplesmente me ignora e faz da minha vontade um lixo completamente descartável, “que se exploda seus anseios sua adolescente boba”. E eu fico espantada como eu pude raras vezes aceitar suas teorias e dizer arrãn tantas vezes seguidas. É que na verdade eu concordava mesmo. Mas a minha caixa de e-mail continua "vazia".
Às vezes eu tenho vontade de te jogar na parede, não pra te encher de beijinhos, mas pra te dar boas bofetadas. Você ri das suas próprias brincadeirinhas e eu sou obrigada a saber que não era pra acreditar, como se mulheres já não fossem sentimentais o suficiente pra ter que além de tudo sofrer por mentirinhas. Como se nós mulheres já não confiássemos o bastante, pra você vir e fazer piada desse meu amor extremo que chega a ser ridículo. Porque o amor é ridículo e eu mais ainda. E eu fico bastante estressada porque se você me ligar no meio da semana pedindo para conversarmos eu terei que entender (porque além de tudo eu sou muito curiosa) e deixar você vir na minha casa pra ficar te olhando e ouvir o que você tem pra dizer e quando eu estiver a fim de conversar com você, você vai vir com aquele papinho de que a gente não pode se falar, de que isso ta errado e tudo mais. Não sei se eu fico mais estressada por tudo isso ou quando você vem com cara de pena achando que eu to morrendo por sua causa, jogando na minha cara que NÃO, você não está morrendo por minha causa, ou até está, eu nunca sei quando você tá falando sério ou quando é pegadinha do malandro.

Marcella Casari

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